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A MORTE DE GOIÂNIA

*Por Marcelo Augusto Sampaio Martins

Por ocasião da abertura da Pecuária e do início dos festejos da padroeira Nossa Senhora Auxiliadora, com grande doe no coração e pesar na alma, venho comunicar a morte de Nossa charmosa Capital Goiânia.

A “causae mortis”: a falta de amor de seus habitantes”.

Apesar de ser cantada em prosa e versos por seus visitantes que relatam suas qualidades, tais como: a beleza de suas mulheres, a gastronomia, só pit-dogs, o traçado urbanístico, as universidade, a prestação de serviços médicos, a mecânica na aviação, etc. Seus moradores a odeiam. E o ódio a matou.

 

Fico imaginando Calígula defender no Senado Romano a demolição do “Coliseum”, ou o Senador Incitatus propondo transformar em grama a arena, palco de luta dos gladiadores e disputa entre os ferozes leões para escolher qual cristão seria mais apetitoso. Em Goiânia ocorreu isso.

O artigo 213 do Plano Diretor mandou que a Prefeitura Municipal retirasse, no prazo de 03 anos, o Parque Altamiro de Moura Pacheco.

 

As proféticas palavras do Ministro Barroso dizem: “a judicialização é sempre um momento patológico das relações sociais, por significar a impossibilidade de observância espontânea do direito.” A judicializaçāo da política Urbana chegou a um nível insuportável. Só do MP para fazer Regularização Fundiária de bairros são 134 ações civis públicas.

Fora as que querem derrubar o Plano Diretor. Este, por sinal, já nasceu velho. Não permite a instalação de uma indústria na cidade.

E, ainda, sós princípios da contiguidade e lindeiro pôs fim no pujante mercado de loteamentos, terceirizando para Goianira, Trindade, Aparecida, Nerópolis, Senador Canedo, Abadia e Terezópolis todo crescimento. A masturbação sociológica de seus intelectuais não define se querem uma cidade espraiada ou compacta. São herdeiros da indecisão de Hamlet.

 

A paralisia burocrática é outro grave sintoma da cause da morte. A Vila Quebra-caixote no setor universitário e a posse da rua Pedro Álvares no Setor Novo Mundo foram desafetadas há mais de 20 anos. Os moradores

 

Um outro mal que lhe acomete é a intolerância de sua elite. No dia que a rocha olímpica, símbolo de integração humana e amizade entre os povos percorriam as ruas da cidade, uma minoria branca e de classe média alta dedicava-se a xingar.

Por sinal, esse mesmo grupo gritava palavras de ordens contra inauguração da principal reivindicação da cidade: um Aeroporto decente. Pro falar em aeroporto, Aparecida vai instalar um aeroporto de negócios. Mais um membro de Goiânia vai ficar mórbido.

Por citar Aparecida, o setor atacadista vai embora para Aparecida, deixando vazios sós galpões das ruas José Hermano, Rio Verde e Jaraguá.

 

Se fosse apenas a intolerância, talvez houvesse cura. Porém, a inveja não tem cura, a inveja mata.

Há uma combinação incestuosa entre mídia marrom, agentes políticos, agentes de Estado e Autarquias federais. Como se consideram no panteão acima do bem e do mal, qualquer coisa que não lhes é do seu agrado, acionam-se, chegando ao cúmulo do denunciante emitir parecer sobre um fato que ele mesmo denunciou. Nem Otelo consegue explicar tanta inveja.

 

Da falta de amor às leis. Ninguém quer cumprir a lei na cidade. Os camelôs querem infestar as ruas e não pagam impostos. Os feirantes vendem seus produtos e não recolhem seu lixo. Ninguém quer respeitar recuo frontal e lateral, enfim ninguém respeita as leis.

 

marcelo augusto

 

 

 

 

 

 

 

 

*Marcelo Augusto  Sampaio Martins

Advogado, Radialista, foi Presidente da Câmara M. de Goiânia

 

 

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