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CBF e os 45 anos de um título nacional do Atlético

 

O resgate de uma conquista histórica e inédita

No ano anterior, a seleção de Pelé, Gerson, Rivelino, Jairzinho, Tostão e tantos outros craques havia conquistado o tricampeonato mundial, trazendo em definitivo, do México para o Brasil, a Taça Jules Rimet. Fora de campo, o país vivia sob uma forte ditadura, com centenas de pessoas mortas ou desaparecidas, como Rubens Paiva e Carlos Lamarca.

Na cena internacional, desenrolava-se a sangrenta Guerra do Vietnã.  Por outro lado, era inaugurado o parque de diversões DisneyWorld, na Flórida. A Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, estreava no cinema, assim como os filmes da lenda Bruce Lee.

A TV brasileira mostrava a Buzina do Chacrinha, o Clube dos Artistas, o Programa Sílvio Santos e o humorístico como Balança Mas Não Cai. O Led Zeppelin lançava “Stairway to Heaven” e Roberto Carlos, “Debaixo dos Caracóis dos seus Cabelos”, “Amada Amante” e a inesquecível “Detalhes”. Dom e Ravel estouraram com “Eu Te Amo meu Brasil” e Waldick Soriano vivia o auge da carreira.

Naquele ano de 1971, há exatos 45 anos, completados em 19 de outubro, o mesmo Atlético Clube Goianiense, que está prestes a conquistar uma vaga na Série A 2017, com grandes chances inclusive de sagrar-se Campeão Brasileiro 2016, da Série B, derrotava na final, no antigo Estádio Olímpico, a Ponte Preta, então vice-campeã paulista, levantando o título de Campeão do Torneio da Integração Nacional. A competição, que contou com 16 equipes participantes, foi o primeiro título nacional do Dragão da Campininha, posteriormente campeão da Série C do Brasileiro, nos anos de 1990 e 2008.

Eu era ainda bem criança e havia a pouco tempo me mudado com família de Itumbiara para Goiânia, mas recordo que o meu pai, que era fanático por futebol, pulou o alambrado e me levou para sair na foto junto com Pedro Bala, Claudinho, Dadi, Paghetti, Raimundinho e outros craques do time, comandado por Paulo Gonçalves.

Por que a Confederação Brasileira de Futebol não reconhece esse título histórico do Atlético goiano? A mesma CBF em 2010, por exemplo, decidiu reconhecer os títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, também chamado de Taça de Prata (realizado de 1967 a 70), como conquistas nacionais, os equiparando ao Campeonato Brasileiro, o que favoreceu os times do Santos e do Palmeiras.

Há dois anos, a própria Fifa reconheceu o título da Copa Rio de 1951, conquistado pelo Palmeiras, como equivale a um Mundial de Clubes, atendendo a um pedido do clube paulista, encaminhado em 2001. A equipe foi reconhecida pelo órgão máximo do futebol mundial, como o campeão do primeiro torneio global, em decisão, acompanhada por mais de 100 mil pessoas, contra o Juventus de Turim, no Maracanã.

Até mesmo como uma homenagem ao ex-presidente, Antônio Accioly, falecido em 8 de julho de 1973, por iniciativa do atual presidente, Maurício Sampaio, do presidente do Conselho, Jovair Arantes e do diretor de futebol, Adson Batista – maior nome da história do Atlético, pós-Accioly e que vive pelo Dragão -, com o apoio do presidente da FGF, André Pitta e de seu brilhante, coordernador técnico Roberto Sampaio, a agremiação atleticana poderia o quanto antes, na forma legal, protocolar este pleito junto a CBF.

Trata-se de uma iniciativa importante para o conjunto do futebol em nosso Estado e o resgate de uma conquista histórica e inédita, dentro de campo, construída com muita luta e garra por aqueles que envergaram as cores do clube fundado a 2 de abril de 1937, com fortes raízes no Bairro de Campinas.

 

*Marcos Parreira Gomes,  jornalista

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