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Eleição não está decidida: 12 fatores que apontam 2º turno

Diante da fartura das pesquisas que tomaram conta de Goiás, o mais óbvio e cômodo é apostar ou até mesmo garantir que a eleição para o governo estadual vai se encerrar no primeiro turno, com a vitória de Ronaldo Caiado (DEM), que vem liderando os levantamentos. O histórico, os personagens envolvidos na disputa e o atual momento, no entanto, obrigam a uma análise mais prudente. É preciso considerar que a eleição não está resolvida, conforme alguns caiadistas mais exaltados propagam.
A base aliada tem força e foi provocada a reagir diante da operação (armação!) da Polícia Federal contra o ex-governador e candidato Marconi Perillo (PSDB). O governador Zé Eliton (PSDB), sempre sereno em suas ponderações, tem convicção de que na hora da contagem dos votos sua votação será bem maior do que aponta as pesquisas.
Uma análise mais ampla nos aponta 12 fatores que indicam o segundo turno. O candidato Daniel Vilela (MDB) também acreditar estar melhor do que os números que são mostrados nas pesquisas. A menos de uma semana da eleição, o eleitorado goiano ainda pode ser influenciado por diversos fatores.
O primeiro fator é o “alto número de indecisos”. A última pesquisa Serpes mostra que mais de 18% ainda não decidiu em quem votar para o governo. Outros levantamentos indicam porcentagem ainda maior de indecisos. Fato é que esse contingente eleitoral pode ser determinante para que ocorra o segundo turno. A pesquisa Serpes também mostrou outros dados relevante: 28,1% dos entrevistas ainda podem mudar o voto até o dia da eleição; 45,9% ainda não definiram o voto e 32,6% sequer sabem o número do candidato em que vão votar.
2 . “Força dos prefeitos da base”:  a grande maioria dos prefeitos goianos é da base governista. Não se pode desprezar a influência dos gestores nesta reta final, devido à sua capacidade de mobilizar a militância e captar o eleitorado nos municípios. No sábado, o prefeito Rogério Troncoso (PTB), um dos mais ativos em favor de Zé Eliton, organizou grande carreata na cidade para receber o governador. A mobilização impressionou Zé Eliton e aliados.
3. “Capilaridade do MDB em todo o Estado”: mesmo sofrendo derrotas consecutivas para o governo desde 1998, o MDB nunca deixou de ser grande e influente em Goiás. Tanto que Iris Rezende foi eleito prefeito de Goiânia com mais de 80 anos de idade. O partido tem prefeitos em cidades importantes e a militância emedebista ainda é atuante. Daniel Vilela aposta muito nesse exército para crescer nos últimos dias de campanha.
O quarto elemento pode ser o “Fator Haddad”: na pesquisa Serpes, o petista cresceu 6,1 pontos e ocupa a segunda colocação, com 14,1%. A onda de crescimento de Haddad certamente vai impulsionar a votação de Kátia Maria para o governo de Goiás. O presidenciável esteve em Goiânia na semana passada e fez campanha ao lado de Kátia.
5. “Força da militância da base”: a operação (armação!) da Polícia Federal deu injeção de ânimo na militância. Um exemplo foi o evento de sábado, no comitê do PSDB, na avenida T-63: 4 mil jovens de todo o Estado marcaram presença para apoiar a candidatura de Marconi ao Senado. A militância tucana é aguerrida e se acostumou a se aglutinar nos momentos mais complicados. Se isso ocorrer novamente, a chance de segundo turno aumenta.
6.  “Melhor desempenho de Zé Eliton nos debates”: o governador Zé Eliton foi o melhor em todos os debates. Mesmo sendo atacados pelos rivais, Eliton manteve a calma e, com serenidade, mostrou os feitos dos governos tucanos, além de apresentar propostas. Ronaldo Caiado sempre esteve no modo “sonolento”. Fugiu de confrontos com Daniel e Zé. Kátia foi monotemática e só soube exaltar Lula. Daniel teve alguns momentos de brilho, mas ainda se mostra cru para o embate mais acalorado. Há ainda o último debate, que será o de maior audiência, na TV Anhanguera.
O sétimo fator é tradição de segundo turno em Goiás: as últimas eleições no Estado sempre foram apertadas e decididas no segundo turno. A polarização entre PSDB e MDB forçava a prorrogação do pleito. Este ano está sendo um pouco diferente. Caiado tem boa vantagem, mas não se pode desprezar a militância tucana e a capilaridade do MDB em todo o Estado.
8.  “Governo sempre tem mais de 25%”: outra tradição é o índice atingido por quem está no governo. O candidato governista sempre ultrapassa os 25% dos votos. As pesquisas mostram Zé Eliton abaixo desse teto, mas o QG tucano tem certeza que o governador terá desempenho melhor no dia da votação.
9 . “Eleitorado líquido, onde  tudo muda rapidamente”: as redes sociais, a internet e a velocidade com que a informação se espalha transformam o ambiente da política a todo momento. Até mesmo no dia da votação um fato novo pode surgir e alterar o quadro que estava estabelecido.
O décimo fator tem a ver com a “fartura das pesquisas”: a cada semana, mais de uma pesquisa é divulgada. Raramente os levantamentos mostram números alinhados. Os resultados quase sempre são díspares e não retrataram com precisão o sentimento do eleitorado. Fato é que hoje não dá para cravar nada baseado só em pesquisa.
11. “Efeito Vilmar Rocha”: em 2014, as pesquisas davam Caiado eleito para o Senado com grande vantagem e mostravam um Vilmar Rocha bem fraco. Quando as urnas foram contabilizadas; surpresa! Vilmar obteve 37%, mais de 1 milhão de votos e por pouco não derrubou o favoritaço Caiado. Muitos dizem que se Vilmar tivesse sido mais agressivo contra Caiado teria vencido o pleito.
12. Por fim e mais recente, o “episódio Vanderlan”: na disputa pela prefeitura de Goiânia em 2016, o Ibope errou feio nos números de Vanderlan Cardoso. Dava-se a impressão que Iris venceria com facilidade. Vanderlan começou a disputa lá embaixo, atrás de Iris e de Delegado Waldir. Na reta final, o empresário arrancou e conquistou 31,8% dos votos, passando para o segundo turno junto de Iris. Uma pesquisa Ibope publicada dias antes do pleito mostrou Vanderlan só com 27%.
  (*)  Valteir Santos é radialista

 

 

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