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O julgamento dos que questionam

Os amantes da arte encenada degustaram um novo sabor ao depararem-se com as surpresas satíricas  da peça “O julgamento de Sócrates” protagonizada por Tonico Pereira. A intuição e instintos levemente presunçosos de dedução levavam a crer que a peça se daria em meados de 400 a.c, tendo como enredo único um dos julgamentos mais polêmicos e dramáticos da história.

Tonico inicia sua atuação com bom humor, a comédia irradia-se pelo teatro, risadas ecoam. Cita os “Sócrates” que lhe cruzaram o caminho em todos esses anos e antes da peça propriamente dita começar já tem a plateia nas mãos. Inicia-se, então, o julgamento de Sócrates.

Já totalmente imerso no personagem,  originalmente criado por Platão originalmente criado por Platão, como defenderiam aqueles que veem teorias conspiratórias por todos os lados, o ator dá início a seu monólogo. Uma ou duas vezes um narrador impiedoso faz-se ouvir. A linguagem utilizada é moderna e de fácil compreensão, como o próprio Sócrates gostava de comunicar-se, dizia o que tinha a dizer ao povo, a linguagem aristocrata era fortemente recusada.

Porém a ligação com a modernidade não cessava na linguagem, como dito ao findar da peça o ator queria através de sua arte demonstrar sua preocupação com o que o país vive atualmente  principalmente no âmbito político, trazendo para nossa realidade o julgamento icônico de um homem que preferiu a morte a ter que deliberar a si mesmo uma sentença acerca de crimes que não havia cometido.

Citações artísticas como as performances de Ligia Clack, escândalos midiáticos sobre liberdade de expressão, paráfrases de pseudo entendedores de política buscando holofotes e menções a políticos que como precursor da dialética adoraria chamar para um debate, jorram por entre os lábios do ator causando reações eufóricas na platéia.

Não é difícil imaginar a quantidade de “sábios” que Sócrates enfrentaria em um duelo oral na era da informação compactada em telas menores que a palma da mão. O maior sábio do mundo, de acordo com o oráculo, talvez fosse tão sábio por ter a plena ciência de que nada sabia de fato, hoje teria fartos banquetes com todos aqueles que detêm as respostas para as principais questões do nosso país tropical, alguns até mesmo para as questões do mundo.

Somos diariamente julgados por nossos princípios, somos diariamente condenados por nossas lutas, muitas vezes por pessoas que sequer dão-se ao trabalho de estudar minimamente os assuntos que condenam,. Sedentos por conhecimento buscamos sempre uma verdade que nunca é de fato absoluta, mas poucos são o que enxergam tal fato.

É hora da sentença, iremos condenar aqueles mais esclarecidos que nós mesmos, por acreditar na máxima “a ignorância é uma benção”, a venderem sua verdade por uma vida ditada por detentores de poder ou iremos brindar com eles tendo em mãos os cálices que nos salvará a dignidade?

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